Atualmente, a internet virou sinônimo de interatividade, compartilhamento e acesso a informação. As novas possibilidades provindas do hipertexto, da noção de comunicação em rede e da ausência de uma centralidade hierárquica comum fazem da internet um novo paradigma da comunicação.
Ou seja, o modelo emissor-receptor, que antes era em push (o conteúdo era “empurrado” para a audiência), transformou-se em pull (o conteúdo é “puxado” pela audiência) com o surgimento da internet (Primo, 2007). Ou seja, a informação é procurada pelo próprio usuário ou ainda, ser publicada ou criada por ele mesmo.
Sites de relacionamento, como Orkut e MySpace, salas de bate-papo virtuais, fóruns de discussão e entre tantos outros, já possuem essa característica de fornecer informação que, ao contrário do modelo televisivo – em que a informação provém de um conglomerado midiático, pode originar de qualquer usuário com acesso a internet.
O modelo mais exemplar de publicação de conteúdo próprio são os blogs. Fáceis de manejar, qualquer usuário pode criar gratuitamente uma conta em um dos diversos sites de blogs e com isso, criar o seu próprio e postar qualquer tipo de informação, sob sua própria responsabilidade e de acordo com as regras do site hospedeiro.
O modelo de blog inicialmente foi pensado como forma do usuário expor e publicar conteúdo próprio, sendo esse pessoal ou não. E a única forma de interagir o leitor com o autor deste era via e-mail ou comentários deixados no próprio blog. E, visualmente, todos eles tinham a mesma aparência e layout.
Com o desenvolvimento da Web 2.0, a internet passou a ser vista como uma plataforma, ou seja, viabilizando funções online que antes só poderiam ser conduzidas em programas instalados em computadores. Porém, mais do que o aperfeiçoamento da “usabilidade”, a Web 2.0 prioriza o desenvolvimento de uma “arquitetura da participação” (O’Reilly, 2005). Com isso, os blogs começaram a ganhar novos recursos multimídia.
A possibilidade de publicar vídeos digitais, podcasts, recursos interativos em linguagem Flash, conteúdo vindo de outros sites ou até mesmo de outros blogs, além de novos visuais estéticos, deram nova cara para essas “agendas virtuais”, que misturam agora texto e imagens com vídeos, sons e interatividade.
Com isso, o blog começou a ser pensado em outras possibilidades de uso. Atualmente, existem blogs apenas voltados a divulgação de vídeos digitais, outros para divulgação de músicas, outros voltados para o artístico, outros que respondem dúvidas para leitores, outros que servem de diário pessoal ou publicação de trabalhos, ou seja, uma ampliação dos usos dos blogs possibilitada pela Web 2.0.
Porém, uma interessante forma de uso, porém não um blog em si, mas num formato semelhante, chamou-nos a atenção. Os artistas plásticos Miranda July e Harold Fletcher desenvolveram um site chamado Learning to Love You More (http://www.learningtoloveyoumore.com/) que consiste atribuir aos visitantes (ou contribuintes) tarefas específicas que estes devem cumprir, através do envio de material digitalizado. Cada tarefa (denominadas "assignments", pelos autores) dura um determinado tempo, em que os visitantes mandam o material captado.
O interessante dessa iniciativa é que os leitores que fornecem o conteúdo do site. Mesmo com as direções indicadas (as tarefas) pelos autores, sem a participação dos leitores, enviando material, não há conteúdo no site. Ou seja, parece que o site é um blog dentro de um blog, em que, imaginando um blog normal, seria como se criasse um blog num site hospedeiro e o conteúdo daquele não dependesse do próprio criador. (Figuras 1 e 2)

Figura 1 - Relações em um blog tradicional

Figura 2 – as relações presentes num fictício blog no formato do site Learning To Love You More.
É nessas interessantes relações presentes no site Learning To Love You More que nosso projeto se constrói. Observamos uma clara influência dos blogs nesse site e pretendemos utilizar dessa ferramenta para pensar e produzir o projeto proposto.
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